Tuesday, June 07, 2005

Numa floresta escura e fria, estou sentada no meio de monstruosas ervas daninhas. Oiço sozinha o uivar dos lobos, sinto o vento a trespassar-me gelidamente... Estremeço de frio, não sinto os pés, as lágrimas secaram, o cabelo voa caoticamente... Subitamente o vento pára. Vejo uns resquícios de luz a surgirem no horizonte. O Sol vem aí. Os pássaros começam timidamente a cantar, as flores desabrocham preguiçosamente. Olho para o meu lado. Não sei como, estás aqui ao pé de mim. Adormecido, no meio do orvalho, um pequeno anjo caído do céu e a precisar que alguém o acolha. Não existe mais ninguém sem sermos nós. Como Adão e Eva no paraíso. Reparo no caminho por onde vieste: onde pisaste o chão, as flores sobressaem no verde da relva aparada. Pegadas de flores que vão até ao teu leito, onde as flores te contornam e abraçam. Deitado assim nesse Universo multicolorido, não te apercebes do que se passa à tua volta; apenas dormes como uma criancinha desprotegida... Esse teu ar frágil duplica-me as forças para te defender, mataria e morreria por ti se necessário... Mas não é. Tu desvaneceste-te: eras só uma miragem... Apenas um sonho... Acordei. Encontro-me enroscada no meio das ervas daninhas, trespassada pelo frio, congelada pela solidão... Fecho os olhos e nunca mais os abrirei...
Sinto-me pequena. Sozinha, encolhida num canto escuro e musgoso, apenas com a luz intermitente dos raios que penetram pelas janelas... Abandonada, cegada, com os pulsos sangrentos da corda que os aprisionou uma eternidade, taciturna, esvaziada... e pequena. Estas paredes brancas e bolorentas são tão grandes... Uma enorme janela defronte de mim, onde vejo raios agressivos cujo objectivo final é me atingir... Quero as minhas asas de volta... Sem elas sinto-me tão mínima... Sinto que não valho nada, nem para mim nem para ninguém. Tenho os pés frios... Esta manta não me aquece... Verti duas lágrimas. Porque nunca ninguém me ama? Porque ninguém demonstra que se preocupa comigo? Porque ninguém me dá um motivo para viver? Porquê?? Em vez disso, encostam-me a um canto e vão-se embora. Todos. Olho para os meus pulsos. Não páram de sangrar. Vejo tudo turvo... Será o fim?

Wednesday, May 04, 2005

"...Palavras apenas, palavras piquenas..."

Tuesday, May 03, 2005

Dia das mães

Dia das mães tá chegando... mas não sei porque "dia das mães"... ou melhor eu sei porque... se falam tanto que mãe que é mãe isso... ou aquilo... então qualquer dia é dia das mães, todos nós sabemos que isso é invenção pra ativar o comércio... e nós deixar sensibilizados, a comprar, comprar... comprar...
Talvez eu pense assim por não ter filhos...
Sim, mais porque não fizeram o dia dos filhos, já que querem tanto vender, não custa nada inventar dia dos filhos... dia das crianças não conta... tudo bem que "os filhos para os pais são sempre crianças"... mais nós mesmo ficamos constrangidos com isso...
AH!!! não sei o que pensar...
mais por enquanto que não tenho filhos, me deixa pensando assim...

Monday, April 25, 2005

Sabe... o meu blog tem sido como meus cadernos... eu escrevo muito, mais quase ninguem vê, + é bom, serve pra desabarfar, não é uma coisa que eu escrevo com obrigação... só pra ficar na lista de mais atualizados ou ficar cheia de comentários... Lógico que gosto dos comentários, mais é por isso que faço meu blog... ah quase dois anos... porque gosto e não espero ser compreendida por todos... nem apredejada, espero ser lida...

Sunday, April 24, 2005

Nada...
Vazia...
por conta de problemas em casa... como toda pessoa normal tem...

Monday, April 18, 2005

Diálogo sobre o suicídio

Diálogo sobre o suicídio

- É uma coisa estranha, não é? Parece que o inglês está fadado a viver perto do francês.
- Por que?
- A língua inglesa não era nada parecida com a que é hoje. Os celtas e os anglos tinham uma língua completamente diferente. Seria o inglês inicial.
- Ah, é. Teve anos de dominação dos francos, não é?
- Sim. E dos romanos, bem antes. O inglês foi ficando mais próximo do latim. Mas foi principalmente através do francês que a língua inglesa se constituiu. E não foi só uma mudança nas palavras. Teve mudança até na estrutura gramatical do inglês.
- É verdade. E desde então Inglaterra e França não se entendem. Mas ficam um do lado do outro.
- E não só. Na África se dividem os países de dominação inglesa, como Zimbábue ou África do Sul, e os países de dominação francesa, Marrocos, Argélia.
- É verdade. Temos que pensar também nos Estados Unidos. As colônias francesas de Orleans e Louisiana. Assim como no Canadá, em Quebec.
- Quebec, é verdade. Um lugar no meio do Canadá que tem gente que não fala nada de inglês. Lugar curioso. Em Montreal todo mundo é bilíngüe. Mas em várias cidades tem um monte de quebecois que não fala nada de Inglês.
- O que é um barato. Tem até gente que sai do interior de Quebec para a Columbia Britânica, onde eu estive. Lembro-me de uma turista quebecoise que mal conseguia falar inglês. Estava lá para "passear e estudar um pouco a língua". Boa.
- Mas é engraçado isso. Parece que tem uma espécie de consciência francesa entre os seus falantes, não é? Uma espécie de comunhão, talvez.
- É verdade. Uma espécie de fraternidade. É um idioma complicado, e ligado a uma grande cultura após a Revolução Francesa. É como se aqueles velhos princípios ainda valessem para todos os francos.
- É. É interessante a questão do separatismo no Canadá. Por que Quebec quer ser um país?
- É porque é como se fosse outro país. Nos dólares canadenses existem imagens da Rainha Elizabeth. Os quebecoise não querem usar esses dólares. É um princípio cultural.
- É como se um francês aceitasse a dominação de um inglês. Isso é impossível hoje.
- Dói para eles. Você me fez lembrar de um suicídio ocorrido na Catedral de Notre-Dame, na França.
- Que suicídio?
- De uma quebecoise. Saiu nos jornais canadenses quando eu estive lá. Uma história um tanto quanto interessante. Ela queria sair do Canadá para conhecer a França. Era a viagem da vida dela. Ela passou por todo um roteiro no sul da França, viajando ao norte, passando pela fronteira da Alsácia-Lorena...
- Outro lugar interessante no que se refere a línguas. Parece que a língua de lá não é nem Francês nem Alemão. É uma língua estranha.
- É verdade. Mas depois ela foi à fronteira com a Espanha. É interessante notar como os jornais cobriram a trajetória dela. É que ela deixou um diário da viagem, contando tudo o que ela sentia nos lugares onde passava.
- Ah, entendi. No mínimo algum cineasta canadense ainda vai contar essa história.
- Parece que tem um francês que falou disso em algum filme.
- Ah, é? Qual?
- Não sei. Acho que é um filme de sucesso.
- É, deve ser.
- E no diário dela havia uma passagem interessante. Uma espécie de carta de suicida, sabe?
- Sei.
- É lá que ela fala dos motivos de ter pensado no suicídio. Ela disse que viu o mundo francês se despedaçando. A língua francesa tendo cada vez influências de palavras inglesas. Restaurantes e bares franceses se parecendo com os ingleses. Os bistrôs eram todos muito caros e os turistas, em vez de conhecer a maravilha da culinária francesa, se perfilavam nos McDonald's.
- Um belo motivo para cometer suicídio, não? Ver franceses indo ao McDonald's?
- Nossa, quanta ironia. Quanta malignidade...
- Ah, a história é sua! Você a está contando. Ela vem de você, da sua mente, embora tenha acontecido. Da maneira que você está contando até parece que você tem algo contra McDonald's.
- Não tenho nada contra McDonald's. Pelo contrário. O problema é que é a pior comida do mundo, mas eu não tenho nada contra.
- Certo, certo. Aquele velho papo de nós sermos inconclusos, inacabados, incompletos, contraditórios e paradoxais.
- É isso aí. Mas peraí, tem o suicídio. Por que ela queria se jogar da catedral de Notre-Dame?
- Ela queria ser vista, não é?
- De fato. Ela queria que as pessoas assistissem à "Queda de Notre-Dame", a queda da dama da França, do ar da França no mundo. Ela queria que sua queda fosse a queda da França. Ao mesmo tempo dá a sua vida para uma França de outrora, gloriosa e rica.
- Quanta nostalgia.
- Outra palavra interessante. Nostalgia. Ao mesmo tempo que significa "saudade da pátria", algo específico, em várias línguas se assiste à sua transformação para tradução de "saudade".
- É um sentimento estranho também. Mas todo mundo tem esse sentimento. A diferença é que não tinham dado nome para ele. Como precisavam de um que não fosse tão português como "saudade"...
- O interessante é como a nostalgia, no caso da garota suicida, se uniu a algo mais. Se uniu à saudade.
- Sim. Saudade do tempo. A busca de um passado das idéias. Um verdadeiro loop no túnel espaço-tempo.
- Peraí, você já está viajando...
- Não estou não. Foi você quem falou da saudade, da nostalgia. Continue a história.
- Pois é. Ela se suicidou em nome de uma coisa que estava além dela. Parece que já adquirimos essa capacidade mental de irmos contra nossos instintos de sobrevivência.
- É. Em nome de algo que está fora de nós. Como honra a uma bandeira, por exemplo. O soldado que vai á guerra é sempre um potencial suicida.
- Sim. Atirar-se às linhas inimigas é quase um suicídio. Não se espera quase nunca sair vivo. Se sair, terá sido um alívio.
- E se atirou da catedral de Notre-Dame. O que é interessante. Existe um suicida famoso na França, que se atirou do alto da Torre Eiffel.
- É. É verdade. Ele achou que poderia voar, não era?
- Era. E tinha uma outra pessoa filmando. Um repórter. Hesitando sempre entre segurar o suicida ou tirar a foto...
- É. Mas esse teve o pudor de estar longe demais do suicida para ajudá-lo.
- Ainda bem.
- Mas a moça de Notre-Dame... acho que ela queria ser também reconhecida como a "Notre-Dame". Como a Nossa Senhora da França, talvez. Aí está a simbologia da Notre-Dame como escolha.
- É verdade. Ela não escolhe a Torre Eiffel pois a Torre Eiffel, de certa forma, está mais próxima da Estátua da Liberdade. Lembra o presente que a França deu ao aliado pelo grande apoio?
- É... mas não sei se a Torre Eiffel está mais próxima da Estátua da Liberdade. Eu não seria tão categórico. Tem a religião, também. A Franca católica. A Catedral de Notre-Dame.
- Ah é? A quebecoise era católica?
- Sim, era. De família católica. Estudou em colégio católico. Uma tragédia para a família que não sabia da consciência francesa da filha.
- É... ainda mais vinda de um canadense. Para você ver o que são as paixões. Uma quebecoise se suicida na França pois tinha uma noção de França que não era verdadeira.
- A história das paixões, não é? Você se apaixona pelo que você é, e não pelo outro. O outro é apenas maya, ilusão.
- E você se conforma com a ilusão. Até que ela vai desvanecendo. Você vê o seu amado no banheiro e não se conforma. E tem os pequenos detalhes todos. E a paixão some.
- É. E o objeto apaixonado deixa de sê-lo. No caso, a França deixou de ser o que era. Ficou sem ser o que era. O pano caiu. Para a quebecoise, o mundo acabava ali. Toda a paixão que ela sempre guardou pela França acabou deixando seu próprio coração partido.
- Mas isso não tem lógica. Você percebe como isso é louco? Porque se ela se apaixona, ela se apaixona por um objeto que é igual a ela mesma. Ela pode se apaixonar por uma pessoa. Mas como ela pode se apaixonar por um país?
- Não sei. É uma boa pergunta, no entanto. Geralmente os suicídios são passionais de certa forma. É difícil encontrar alguém tão apaixonada por algo que não se parecee com ela.
- É. E se matar por isso. A quebecoise teve de ir contra toda a sua natureza.
- É. Eu, na verdade, quando li o jornal sobre a morte dela, fiquei pensando se um suicida assim morre antes de chegar no chão ou se ele morre com o choque.
- Eu acho que com o choque é mais provável. Embora o início da queda para o suicídio deve dar um nível de adrenalina tão alto que o coração pode até fibrilar.
- É o que pergunta um detetive em Watchmen, de Alan Moore. Será que a pessoa morre antes ou depois?
- Aliás... antes e depois do que, né? A sua pergunta ficou estranha. Parece que não tem sentido, ou que tem sentido infinito. Parece que a pessoa morre de qualquer jeito. De que importa se antes ou depois?
- Nada mais importa. Morte é o destino de todos nós, provocado por nós mesmos por uma coisa chamada vida.
- Como se nós fôssemos os responsáveis pela vida.
- E não somos? Se até conseguimos nos suicidar...
- Mas você está pensando na origem da vida.
- Sim. E na origem da morte. Na origem da consciência da morte. De certa forma, a garota quebecoise já queria se suicidar quando partiu do Canadá.
- É verdade. É outra maneira de ver a história. A quebecoise já sairia do Canadá pensando na Catedral de Notre-Dame. E ali mesmo, mesmo sem saber, já preparava a própria morte.
- Sim. E talvez ela já quisesse a própria morte, que é o que significava a França para ela, antes mesmo de partir para lá. É algo sobrenatural.
- Ou não. Ela partiu já pensando onde iria se suicidar. E iria deixar uma segunda carta-suicida para um namorado quebecoise. Ou, até mesmo, quem sabe um namorado americano.
- Sim. Faz sentido. Um namorado americano. Esse conflito das línguas, das culturas, da aculturação. E tem o namorado, representando este conflito e trazendo um amor que ela julgava impossível.
- Mas tem mais, não tem? Os canadenses em geral não gostam muito dos americanos. E os americanos tiram sarro do sotaque canadense.
- É. Tem um desenho que fala do "aboot" deles.
- Sim. E tem a guerra com o Canadá.
- É. Os americanos precisam de alguém para direcionar o seu ódio. É como se eles acordassem se perguntando quem irão odiar hoje.
- Tenho a impressão de que os países fazem isso. O fato deles existirem já é prejudicial. Compartilhemos culturas, mas não fronteiras.
- É fácil falar daqui da França, não é?
- É. É mais fácil. Os sentimentos de "nação" são mais fortes para as pessoas do que nós esperamos que seja.
- É. Mas falávamos do suicídio. A quebecoise, no entanto, nunca poderia esperar que cometeria homicídio.
- Homicídio?
- Sim. Ela caiu em cima de outra mulher, que morreu na hora.
- Nossa. Essa história é mórbida.
- Mórbida. Esta é a sensação da morte. Quem diria que a quebecoise encontraria, no seu destino, outra pessoa?
- Ninguém disse. Mas o interessante é justamente isso. São mais do que uma morte a causada pelo suicídio.
- Por mais estranho que possa parecer. A história tinha um toque de fait-divers especial. São duas mortes as causadas por um suicídio. São dez homens que morderam cachorros. E assim vai.
- É... acaba servindo de imagem para o que significa um suicídio. Quando uma pessoa se suicida, ela está matando a sociedade. Ela está tirando a esperança dos vivos em continuar vivendo, pois tem até vivo matando a si mesmo. Ela mata a si e a si mesma.
- São duas as mortes, portanto. Todo suicída comete dois assassinatos. Um real em si mesmo e outro no inconsciente coletivo. Porque as pessoas buscam a esperança. O desejo da contingência.
- Aí já é filosofia de intelectual demais, né? Meio hermético o "desejo da incontinência"...
- E você já está mudando o nome da coisa. É o desejo da contingência. O desejo daquilo que não se pode. O desejo daquilo que poderia ser diferente. Mais do que tudo, é o desejo da vida eterna.
- Que salto. Da morte para a outra vida...
- É... como seria o pós-vida, ou o postmortem do suicida.
- O que ele teria para contar, não é? Como seria o defunto autor?
- Provavelmente bastante infeliz. Mordendo a própria cabeça.
- Completamente louco. Não conseguiria perceber que morreu. E seguiria se matando eternamente, como se a cada dia esquecesse que já tinha se matado.
- E na verdade ela estaria tentando ser o macaco esperto, o que sai do grupo e forma outro. A que deveria encontrar algo melhor na morte. Uma França melhor no seu mundo imaginário que ela chamaria de céu.
- Quem? A quebecoise?
- É claro! Esqueceu o motivo da conversa?
- Não, não esqueci. Continuando, a moça se matou, matou outra mulher e causou um constrangimento no mundo "francês". Parecia um apelo continuado. De certa forma a quebecoise conseguiu causar estranhamento em canadenses e franceses.
- E também mandou um recado para o possível ex-namorado-viúvo, agora desprotegido de seu amor.
- Essa hipótese não deixa de ser interessante.
- Pois é. No fundo a história toda é sobre o fim da paixão. Sobre o sentimento amargo do fim de um relacionamento. Mas ficou como um recado de uma esquizóide para um mundo confuso.
- Mas a paixão não existe como idéia? Ela poderia ter se apaixonado apenas como idéia pela causa da França.
- Sim. E encontraria nessa esquizofrenia o pobre do namorado que no mínimo não tinha nada a ver com a história.
- Não se sabe. Afinal de contas o namorado é invenção nossa. Não saiu nada nos jornais.
- Uma esquizofreniazinha compartilhada, não é?
- É o que nos faz pensar em Platão e pensar no que realmente significa viver no mundo das idéias. Será que um mundo onde tudo existe em pensamento pode ser verdadeiro? Será que não é só um estágio, de onde partiremos e evoluiremos eticamente e para outros estágios de desenvolvimento? Será? Será que tudo isso é imaginação minha? Não pode ser. Tem alguém me dizendo isso.
- É... a eterna dúvida sobre a criatividade. Se não temos livre-arbítrio algum, como podemos ser criativos?
- E ao mesmo tempo, como poderíamos sem livre-arbítrio ser criativos?
- É. É verdade. São dois lados da moeda. O mundo em que temos livre-arbítrio e nossas criações são da nossa mentem e o mundo em que tudo nos é imposto e nós sempre escolhemos as opções que nos são impostas.
- E aí ficamos imóveis, como disse um grego chamado Zenão. Ele propunha que uma flecha nunca alcançaria o alvo, já que, para chegar até o alvo, teria de percorrer infinitas metade.
- Infinitas metades?
- É. Imagine uma flecha que parte em direção ao alvo. Para chegar ao alvo, ela precisa percorrer uma metade do caminho. Chegando na metade, resta ainda mais duas metades. Chegando à próxima, haveria ainda mais duas metades. A flecha nunca sai deste círculo de infinitas metades. E aí está a origem do materialismo.
- É verdade. O materialismo parte disso para chegar à inexistência de consciência na natureza. O idealismo fala da inconsciência coletiva.
- Mas voltando ao suicídio como oposição ao instinto de sobrevivência... o celibato também aparece como oposição ao instinto de reprodução. Instintos de perpetuação. "Multiplicai-vos...".
- Seria outra espécie de suicídio. Negar nossas funções básicas é negar-nos a nós mesmos.
- É. Essa discussão toda é sobre o suicídio e a sua função social, não é?
- Mas como examinar um suicida? Ele não é, na maioria das vezes, um esquizofrênico? Ele não tem problemas de uma realidade que não é a dele?
- É o que fala Woody Allen quando diz que algumas pessoas fazem tudo o que fazem porque vão morrer. Já ele prefere evitar a morte não morrendo.
- E ele está certo. É o que deveríamos fazer, afinal. Acho que é o que espera qualquer um que percebe que o mundo vive da morte.
- Exatamente. O mundo vive disso. Da morte. Se consome pela morte e para a morte. Eis aí o princípio do suicídio.
- E era disso que falávamos?
- Sim.
- Por que mesmo?
- Porque iríamos nos suicidar.
- É?
- Sim, é verdade.
- Quando?
- Amanhã. Na Catedral de Notre-Dame, lembra?
- Ah... é verdade.
- E terá de parecer perfeito, lembra?
- Sim, lembro.
- E nós teremos de cair em cima de outra pessoa, não podemos esquecer.
- Pois é. O mundo francês irá receber um recado estranho.
- E ao mesmo tempo nos livraremos daquela saudade do nosso namorado americano.
- É.
- E do que ele nos fez, nos traindo com aquela mulher ridícula.
- Aquilo nos machucou muito.
- É... nos fez pensar em suicídio.
- E no que tudo isso significa...
- Será perfeito, não é?
- Com certeza.
- Então vamos dormir. Temos de subir numa catedral amanhã.
- Boa noite.
- Boa noite. Durma com os anjos, quebecoise.
Texto de
Leonardo Dias

Thursday, April 14, 2005

Vou dar uma ajeitada nisso aqui... mais pode ir comentando por enquanto... :P
Sou real, embora deverás vezes viva no surreal, odeio mentiras mas nem sempre vivo verdades, sou a inconstância em pessoa buscando equilíbrio, me equilibro na vida, porém levo alguns tombos, me levanto e não tenho medo de as vezes me contradizer. Nem tudo são rosas, porém os espinhos são superáveis, o caminho é longo mas há uma chegada! 21 aninhos, aquariana com ascendente em gemios, apaixonada por letras e rabiscos insanos.
não olhe no reflexo
não pense na verdade
não ligue para o sexo
mas faça caridade
não olhe para o céu
esqueça o casamento
tire esse véu
e fuja com o vento
não seja o seu ser
o mundo te espera
não deixe ninguém ver
como você era